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Esperança, Confiança e Solidariedade é o caminho

O aparecimento deste vírus desconhecido e muito contagioso, o Covid-19, transformou-se numa verdadeira pandemia à escala planetária. Apanhou-nos a todos desprevenidos e os tempos mudaram para todos.

O Covid-19 está a ser uma verdadeira provação para a humanidade, com todos os constrangimentos, limitações, sacrifícios, sofrimentos e mortos que está a provocar em todo o mundo. Esta pandemia do Covid-19 veio mais uma vez demonstrar a fragilidade humana, apesar do imenso avanço da ciência e da tecnologia.

Estamos ciclicamente a ser surpreendidos com algo que nos é estranho e desconhecido, e logo buscamos ou procuramos encontrar soluções para defender a vida humana e a sua própria sobrevivência. A humanidade aguarda com enorme expectativa a descoberta de uma vacina que nos torne imunes ao Covid-19 e nos permita voltar à normalidade da vida em sociedade. Gostaríamos que isso já tivesse acontecido, mas provavelmente só daqui a alguns meses, que poderá ir até ano e meio. Igualmente se multiplicam iniciativas laboratoriais para desenvolver fármacos que possam minimizar o impacto deste vírus na saúde de todos nós. Temos que ter confiança e esperança de que juntos vamos conseguir vencer esta maldita pandemia do Covid-19.

Esta situação como já se está a ver, está a provocar uma profunda crise económica e social, que temos que enfrentar com muita responsabilidade, inteligência, resiliência, determinação e solidariedade. O Covid-19 pela sua dimensão e impacto na humanidade, veio revelar de forma evidente as desigualdades económicas, sociais, ambientais e geracionais. E é nas camadas economicamente mais frágeis que a crise se vem agravando a níveis imprevistos. Impõem-se por isso voltarmos à normalidade possível ou à nova normalidade, como se decidiu chamar esse regresso em toda a Europa, de que Portugal faz parte integrante. Gradualmente os Países estão a reabrir, anunciando os seus calendários para o efeito, convivendo com o vírus, mas tendo em consideração os cuidados indispensáveis.

Na União Europeia existem cerca de duzentos milhões de pobres, perante os quais não podemos ficar indiferentes. A União Europeia tem aqui uma excelente oportunidade para consolidar e avançar no projeto europeu, que como europeísta convicto defendendo para o futuro, de uma Europa mais forte, unida, desenvolvida, próspera e solidaria. Para fazer face a esta grave recessão económica que temos pela frente, justificava-se um novo Plano Marshall, que com este ou outro nome, seja um verdadeiro programa de recuperação europeia, para defesa do bem-estar e qualidade de vida dos povos europeus. Um verdadeiro sobressalto da alma europeia.

Temos de lutar para que os múltiplos desequilíbrios que esta crise está a revelar, sejam combatidos com políticas locais, nacionais, europeias e globais que coloquem acima de tudo a defesa e valores da vida.

Dado as funções que atualmente desempenho, no exercício da minha cidadania, em duas instituições do setor social, designadamente, Presidente do Conselho de Administração da Obra Diocesana de Promoção Social, no Porto e membro da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, gostava de aproveitar mais esta oportunidade para chamar à atenção do Governo de Portugal para a urgência de se lançar um autentico Plano de Emergência Social, para fazer face aos problemas graves da sustentabilidade das Instituições Particulares de Solidariedade Social e das Misericórdias Portuguesas, que o Estado não pode, nem deve ignorar. O reforço de 59,3 milhões de euros recentemente anunciados pelo Governo, representa apenas uma atualização de 3,5% das comparticipações previstas nos Acordos de Cooperação celebrados pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social, pelas Misericórdias Portuguesas e demais Instituições de Solidariedade com a Segurança Social, o que é manifestamente insuficiente, para fazer face aos seus compromissos financeiros, designadamente ao aumento dos vencimentos dos seus Colaboradores, como é o caso do aumento do salario mínimo nacional, que foi de 5,85%. A criação desse Plano de Emergência Social ou, com outro nome, deve ser um verdadeiro instrumento financeiro de solidariedade às nossas Instituições. Só assim poderemos salvar muitas delas do seu colapso e, salvaguardar deste modo, os serviços que elas prestam às muitas centenas de milhares de Utentes, bem como, os postos de trabalho, dos respetivos Colaboradores, cumprindo assim a sua nobre missão social e humana em Portugal.

Esta maldita pandemia do Covid-19, da qual está a resultar, como já referi atrás, uma grave recessão económica internacional e nacional, e que está a afetar e muito as empresas, as famílias e as instituições. E como todos sabemos continuamos a ter muitas pessoas, famílias inteiras, em situação de pobreza, e agora a tendência com o crescimento do desemprego, é para aumentar e muito, infelizmente. Daí a importância acrescida das nossas IPSS’s e Misericórdias no terreno, na área da infância, juventude e terceira idade, para minimizar e mitigar esta situação de pobreza e vulnerabilidade social.

A coesão social é essencial à vida de uma sociedade, como a portuguesa, visando sempre a redução e eliminação progressiva das assimetrias no desenvolvimento social do País, para a qualidade de vida e a felicidade dos seus cidadãos.

Esperança, confiança e solidariedade tem de ser o caminho, que todos juntos devemos percorrer, para vencermos esta enorme provação da humanidade.

Manuel Moreira

Presidente do Conselho de Administração da Obra Diocesana de Promoção Social

Membro da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia

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